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Forte de San Elmo

10 minutos, 7 segundos
04 May, 2018

História do forte de San Elmo

 

O Forte de San Elmo é mais um exemplo da rica história de Malta. Os acontecimentos ocorridos no forte são tão importantes a ponto de sua existência ter contribuído para o surgimento da capital do país, Valletta. Mas para entender como tudo isso se deu é preciso voltar um pouco na história.

O Forte de San Elmo durante o século XVI

Em 1530 a ilha de Malta foi doada pelo Imperador Carlos V da Espanha à Órdem dos Cavaleiros de São João de Jerusalém (conhecida também por Órdem dos Hospitalários). Isso porque, em 1522 os cavaleiros haviam sido expulsos de sua sede na região da ilha de Rodes na Grécia pelos seus rivais, os Turcos Otomanos. Com a chegada dos cavaleiros a ilha estes passaram a ser denominados Órdem de Malta.

Registros dão conta de que mesmo antes de 1417 já existia no local do Forte de San Elmo uma milícia. Eles teriam erguido neste ponto um Posto de Vigia permanente na ponta da península conhecida por Ciberras. Um tempo depois, em 1488, os Aragoneses construíram ali uma torre para a vigilância dos portos da região. Com a chegada dos cavaleiros da Órdem, em 1533, este ponto estratégico onde ficava a torre foi reforçado para fechar o acesso à importante enseada de Marsamxett.

Ocorre que em 1551 durante um conflito, uma frota de navios Turcos Otomanos ancorou em Marsamxett praticamente sem nenhuma resistência. Por essa razão, foi decidido que era necessária uma fortificação de maior expressão e, em 1552 a antiga torre foi demolida, e deu-se início a um novo forte, com planta no formato de uma estrela de quatro pontas, em estilo Renascentista.

Forte de San Elmo 1

Logo depois, mais precisamente em 1565, o sultão Solimão “o magnífico” ordenou um grande ataque a ilha de Malta com o objetivo de exterminar a Órdem dos Cavaleiros Malteses. Atualmente sabe-se que além deste objetivo o que os turcos desejavam também era o domínio da pequena ilha que tinha um papel estratégico de controle das rotas comerciais no Mar Mediterrâneo. Nesta época a antiga torre já tinha sido transformada em um pequeno forte. Nesta ocasião a grande armada Turca impôs um pesado assédio à ilha. Estima-se que o efetivo turco era, no mínimo, quatro vezes maior do que as defesas maltesas.

A imponente esquadra turca partiu de Constantinopla em março e chegou em Malta no dia 18 de maio. Entretanto, os turcos não desembarcaram imediatamente, preferiram antes costear a ilha e ancorar mais ao sul no porto de Marsaxlokk, a cerca de dez quilômetros do Gran Puerto onde está localizado o Forte de San Elmo. Segundo relatos de diferentes historiadores, após o desembarque turco ocorreu um desentendimento entre o chefe das forças de terra e o comandante da esquadra. O primeiro desejava tomar inicialmente a capital velha Mdina, que estava no centro da ilha, e só depois partir para a ofensiva contra os fortes de Malta. Já o comandante da esquadra turca queria, antes de tudo, tomar o Forte de San Elmo para dominar o Gran Puerto e assim ter um ancoradouro a salvo. Acabou prevalecendo a estratégia de atacar primeiro o Forte de San Elmo, pois os turcos imaginavam que o forte resistiria apenas por poucos dias.

Forte de San Elmo - 2

Então, no dia 24 de maio de 1565 o exército turco começou a entrincheira-se em torno do pequeno forte instalando 21 canhões e começando imediatamente o bombardeio. O histórico Cerco a Malta – como é conhecido este confronto - durou de maio a setembro e o Forte de San Elmo além de ter sido o primeiro a ser atacado foi palco de alguns dos mais importantes combates deste episódio. Alvo de bombardeios da artilharia Otomana, assim como de baterias posicionadas no extremo norte do porto de Marsamextt, o forte foi quase que totalmente arruinado. Em termos numéricos, a guarnição de San Elmo era composta apenas por cerca de 100 cavaleiros e 700 soldados incluindo 400 italianos e 60 escravos de galés armados. Mesmo praticamente em escombros a resistência no forte durou um mês. Em 23 de junho os turcos conseguiram tomar o que restava do forte de San Elmo, matando todos os defensores, exceto nove cavaleiros que foram capturados e um pequeno punhado que conseguiu escapar nadando para o vizinho forte de Santo Ângelo. Este fato, considerado por muitos como heróico, custou sérias perdas ao exército turco que mesmo tendo tomado San Elmo e ganhado a batalha, perdeu mais de dois terços de suas tropas em um embate que achava que duraria menos de uma semana.

Dizia-se que as notícias sobre o Grande Cerco de Malta se espalhavam por toda parte e já naquela época considerava-se que o resultado desta batalha poderia ser decisivo para a luta entre o Império Otomano e a Europa Cristã. Passados cinco meses, após a chegada de um exercito cristão vindo da Sicília, finalmente no dia 12 de setembro a armada turca bateu em retirada de Malta. O Grande Cerco de Malta - onde o Forte de San Elmo teve papel destacado - impôs um freio no auge Otomano no Mar Mediterrâneo e permitiu a Europa Cristã frear o avanço turco em direção ao oeste europeu.

Após o grande cerco os soldados começaram a fixar-se em vários pontos da ilha, e em especial na península do monte Ciberras, onde depois viria a nascer a atual capital Valletta. Mais tarde, o grão-mestre dos Cavaleiros de Malta, Jean Parisot de la Valette, percebeu que a Ordem pretendia manter a sua posição na ilha e começou a planejar uma cidade fortificada naquele mesmo local. Este projeto de La Valette foi apoiado pelo Papa Pio V e pelo rei da Espanha, Filipe II. Durante o século XVI a cidade de Valletta cresceu muito, inclusive em termos populacionais, pois muitas pessoas de toda a ilha deslocavam-se para lá com o intuito de ficarem mais seguras devido à fortaleza que rodeava a cidade. Já o Forte de San Elmo, reduzido a escombros pela artilharia Otomana, foi reconstruído e ampliado vindo a ser parcialmente incorporado ao chamado Baluarte do Mar.

O Forte de San Elmo durante o século XVII

San Elmo sofreu diversas alterações ao longo do século XVII. O baluarte de Vendôme foi construído em 1614 e, em 1687 a cintura Carafa foi levantada na faixa litorânea em torno do forte. No final do século o forte foi ligado diretamente ao Cavaleiro e parte do fosso foi aterrado, desaparecendo parte das primitivas muralhas neste processo.

Forte de San Elmo - 3

O Forte de San Elmo durante o século XVIII

Mais adiante, no século XVIII, um novo paiol foi construído no baluarte de Vendôme, e lojas foram construídas na área entre o forte e a cintura Carafa. Estas são conhecidas como Lojas Pinto e, juntamente com a área circundante formam o que é conhecido como Baixa Santo Elmo.

O forte de San Elmo foi invadido novamente em 8 de setembro de 1775 por revoltosos durante a chamada “Revolta dos Sacerdotes", que então contestavam o governo da Ordem de Malta. Entretanto, uma rápida intervenção do então Grão-Mestre Emmanuel de Rohan-Polduc, permitiu isolar os insurgentes do resto da cidade, e sufocar a conspiração em poucas horas.

Ao final do século, agora em mãos francesas, o Forte de San Elmo serviu como prisão durante a ocupação da ilha em (1798-1800).

O Forte de San Elmo durante o século XIX

Novas modificações foram introduzidas no início do século XIX pelos Britânicos, quando foi construído um parapeito para mosquetaria. Mais tarde, em 1855, o paiol do baluarte de Vendôme foi convertido em um arsenal, e algumas das armas de pequeno calibre do Arsenal do Palácio foram para lá transferidas. Na década de 1870, novas obras foram realizadas no baluarte Abercrombie.

O Forte de San Elmo durante a Primeira Guerra Mundial

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o forte ganhou baterias para canhões gêmeos de tiro rápido de 57 mm nas meias-luas sobre o porto.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), San Elmo esteve na linha de fogo do primeiro bombardeio aéreo a Malta. Em 11 de junho de 1940, apenas um dia após a declaração de guerra ser dada por Benito Musssolini, a força aérea italiana bombardeou o forte. As primeiras vitimas neste ataque foram seis soldados artilheiros do Primeiro Regimento da Royal Malta Atillery.

Em 1941 o Forte foi novamente atacado pelas forças italianas, agora por via marítima. Neste confronto um dos barcos italianos bateu na Ponte de San Elmo, que ligava o quebra-mar com a ponta da península próximo ao forte, demolindo-a. A ponte jamais foi reparada, sendo substituída apenas em 2012, com projeto semelhante, mas diferente design. Durante este conflito com o exercito italiano, diversas partes do forte foram severamente danificadas e algumas cicatrizes dos bombardeamentos ainda podem ser vistas atualmente. A guarnição da Royal Malta Artillery deixou o forte décadas depois, em 26 de março de 1972, encerrando uma extensa página de história militar.

Após o final da Segunda Guerra Mundial a parte superior do forte de San Elmo passou a abrigar a Academia de Polícia de Malta. Nos fossos exteriores encontram-se as carreiras de tiro e a praça de armas é utilizada como campo de treinamento pelos cadetes.

O Museu Nacional de Guerra

Desde 1975 parte do forte de San Elmo abriga o Museu Nacional de Guerra, cujo acervo conta com equipamento militar e outras peças relacionadas com a I e a II Guerra Mundiais. Inclusive, uma réplica da “George Cross” com que Malta foi agraciada em 1942 por Jorge VI do Reino Unido (1936-1952) encontra-se em exposição no Museu.

Entre os anos de 2009 e 2015 uma grande obra de restauração foi realizada no forte. Durante este trabalho foram feitas escavações arqueológicas que culminaram na descoberta de diversos elementos primitivos do forte datados de períodos anteriores a 1565.

Todos estes acontecimentos fazem do Forte de San Elmo personagem de destaque não apenas para a criação da capital do país Valletta, mas também para a história de Malta como um todo. Atualmente o Forte pode ser visitado de domingo a segunda e os tickets custam de 5 a 10 euros. Venha conhecê-lo durante seu intercâmbio em Malta!


Fonte: Forte de San Elmo – National War Museu http://heritagemalta.org - http://www.fortalezas.org - https://www.wikipedia.org - https://heroismedievais.blogspot.com.mt

 

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